quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Reflexões no fórum acerca de "Doze homens e uma setença"

Aqui estão as impressões e questionamentos que tive acerca do filme "Doze homens e uma setença" postadas no fórum de discussão do ESPEAD:
Este filme é muito interessante para pensarmos em várias questões que nos parecem verdades absolutas, das quais acreditamos e não /abrimos mão/, mas por quê? Ao longo da trama, quando cada um dos onze personagens acreditava que o réu seria culpado, muitas vezes, não sabiam argumentar o porquê dessa crença. Alguns deles diziam que pela condição social do réu, ele seria um homem culpado. Nesta linha de raciocínio, algumas passagens chamaram-me a atenção quando jurados falam que: /O réu é fruto de um lar desfeito, de um cortiço. [. . .] Nasceu num cortiço, escola de bandido, sabemos disso. Não é segredo que crianças vindas da miséria são uma ameaça à sociedade./ A partir desse pensamento supuseram que o rapaz só poderia ser o culpado mesmo, estando os jurados preocupados mais com suas vidas do que com a situação apresentada diante do julgamento de um rapaz de 18 anos. A medida em que o único jurado, que não tinha certeza da culpa do réu, foi apresentando algumas /evidências/ ou dúvidas, se é que podemos chamar assim, os outros jurados começaram a analisar o caso de outras formas, tentando entender e traçar o enredo do crime. A questão da faca que a colega Suelen traz é muito importante, pois quando esse jurado mostra uma faca /idêntica/, as ditas /certezas/ caem por terra. E, é a partir desse momento e o da tentativa de reconstituição dos passos do suposto criminoso que fazem os jurados pensarem nas suas hipóteses e darem justificativas para suas escolhas para assim condenar ou absolver o réu. Desta forma, sabemos que somos humanos e não podemos trabalhar com uma verdade absoluta, pois há vários pontos de vista em jogo. E nos reportando para uma das cenas iniciais, quando o jurado fala da sua incerteza, um outro jurado fala para os demais que devem tentar persuadi-lo para que mude de opinião, e o contrário acontece, pois são os outros jurados que começam a refutar o que lhes parecia certo. Um jogo de argumentação embasado em ditas /evidências/ vai se armando. Espero ter feito contribuições para o debate.


Essa questão de pensar que uma condição social determinará o que um indivíduo será, é um ponto muito forte (ou evidência), a meu ver, a ser debatido sobre o filme. Pois, alguns jurados, colocaram isso como forte indício para o rapaz cometer o crime, pois ele também sofria de maus tratos por parte do pai e era órfão de mãe e não parecia ter apoio familiar. Será que isso determina esse suposto comportamento do filho perante o pai? Neste viés, quando um dos jurados diz ter crescido em um cortiço, os demais não o deixam continuar sua fala. E essa questão, é aos poucos deixada de lado para serem analisados os fatos /frios/ que foram apresentados durante o longo julgamento, frutos dos relatos das testemunhas. Esses relatos que pareciam ser /estandartes da verdade/ foram aos poucos desconstruídos e dúvidas surgem e assim, são pensadas outras formas de analisar a situação.

Aprendizagens Artísticas

Tenho aprendido muito ao longo deste curso (PEAD). E agora, que atuo como tutora na interdisciplina de Artes Visuais, estou me apropriando um pouco mais deste universo que já era familiar para mim, pois sempre admirei arte, mas sobretudo na sua forma de Artes Plásticas. Desde que ingressei na UFRGS e pude trabalhar como monitora da Bienal do Mercosul, tive contado com várias manifestações artísticas. Atuar na disciplina de Artes Visuais, neste curso, que tem sido um aprendizado para mim, pois posso ter um contato mais téorico da História da Arte e seus movimentos e aliado ao meu apreço por este campo tão vasto. Isso tem me auxiliado a fazer uma reflexão mais apurada da vida e das aprendizagens possíveis. A Arte suscita várias manifestações: alegria, dor, espanto, indignação, fascinação, tristeza, medo, sofrimento, paixão, amor, etc. De uma forma muito visceral, mexe com nossas emoções.


Nesta disciplina tenho aprendido muito com @s alun@s também, ao ver suas leituras e persepções acerca da obra "Las Meninas" de Velázquez, onde vejo infinitas descrições e definições do que o pintor estaria retratando, pois este olha o espectador. Assim, me vejo como espectadora e aprendiz.